Maria Santana Moreira Rêgo: a trajetória de uma pioneira da magistratura piauiense

30 de abril de 2026

Há histórias que não se resumem a cargos, datas ou títulos. São trajetórias construídas com esforço e muito trabalho. A vida da magistrada Maria Santana Moreira Rêgo é uma dessas histórias marcada por pioneirismo, dedicação ao serviço público e um profundo senso de justiça.

Nascida em 24 de novembro de 1947, no município de Regeneração, interior do Piauí, Maria Santana cresceu em um contexto que, para muitos, representaria limite, mas que, para ela, foi ponto de partida. Filha de Felinto Moreira Ramos e Celcinda de Carvalho Ramos, integrou uma família numerosa de nove irmãos, sustentada pelo trabalho no campo. Em meio às dificuldades de uma realidade rural, o acesso à educação já se apresentava como um dos primeiros e maiores desafios.

A busca pelo conhecimento exigiu deslocamentos, renúncias e apoio coletivo. Ainda jovem, saiu do interior para estudar em Amarante, na casa de familiares. Mais tarde, seguiu para Teresina, onde ingressou na Escola Normal “Antonino Freire”, concluindo, em 1966, o curso de formação de professores primários. Era o início de uma jornada que jamais se desvincularia da educação.

Em 1968, iniciou sua vida profissional como professora primária. A sala de aula foi o primeiro espaço onde exerceu sua vocação pública, contribuindo diretamente para a formação de gerações. Mas Maria Santana queria ir além. Determinada, ingressou no curso de Direito da Universidade Federal do Piauí, concluindo a graduação em 1979, ano em que também foi aprovada no Exame da Ordem.

O ingresso na Magistratura

Carteira nº 57 de Associada da AMAPI

A década de 1980 marcou um período de intensas conquistas. Aprovada em diversos concursos públicos, tornou-se Promotora de Justiça, Juíza de Direito e agente fiscal de tributos estaduais. Ainda em 1979, foi aprovada no concurso do Ministério Público do Estado do Piauí; no entanto, quando convocada, já exercia a magistratura e optou por permanecer como juíza.

No Judiciário estadual, atuou em diversas comarcas, como Barras, União e Altos, integrando uma geração de mulheres que começava a ocupar espaços historicamente masculinos no sistema de Justiça. Assim, Maria Santana se destacou como uma das pioneiras, contribuindo para abrir caminhos e consolidar a presença das mulheres na Justiça piauiense.

A missão que ela escolheu: ser mãe

Se na vida pública Maria Santana Moreira Rêgo construiu uma trajetória marcada por pioneirismo e dedicação ao Direito, foi no âmbito familiar que encontrou aquilo que definia como sua verdadeira missão.

Sempre voltada para a família, tomou uma decisão que marcaria profundamente sua história: deixou a magistratura para priorizar a educação dos filhos. O contexto exigia escolhas firmes. Seu esposo, Luiz Gonzaga dos Santos Rêgo, militar do Exército, tinha uma rotina de constantes deslocamentos a trabalho. Nos primeiros anos da carreira, Maria Santana ainda conseguiu conciliar suas funções judiciais com a vida familiar, atuando em comarcas próximas a Teresina, como Altos e União. No entanto, com a possibilidade de remoções para localidades mais distantes, a rotina se tornou incompatível com aquilo que ela considerava inegociável: a formação dos filhos.

À época, as crianças estudavam no tradicional Colégio Dom Barreto, em Teresina, e a mudança para o interior significaria romper com a base educacional que ela havia planejado. Diante desse cenário, Maria Santana abriu mão da magistratura para permanecer na capital e garantir a continuidade dos estudos dos filhos.

E assim ela conseguiu formar os quatro filhos, todos graduados pela Universidade Federal do Piauí, consolidando trajetórias profissionais de destaque. A primogênita, Maria Elena Moreira Rêgo, trilhou um caminho de excelência ao se formar em Jornalismo e em Direito, tornando-se Procuradora do Trabalho no Ministério Público do Trabalho. O segundo filho, Luís Henrique Moreira Rêgo, seguiu a magistratura e atua como juiz de Direito desde 2002, dando continuidade à vocação jurídica da família. James Werson Moreira Rêgo construiu sua carreira como médico veterinário, enquanto o caçula, Samuel Robson Moreira Rêgo, formou-se em Medicina, especializou-se em psiquiatria e atualmente preside o Sindicato dos Médicos.

Maria Santana demonstrou sua determinação ao ser aprovada, em seguida, para o cargo de Auditora Fiscal, função que lhe permitiu seguir no serviço público sem se afastar da família. Para ela, não se tratava de renúncia, mas de propósito. Com serenidade, costumava afirmar que sua grande missão na vida foi educar os filhos. E foi exatamente isso que fez.

Dedicação ao serviço público

Após sua atuação no Judiciário, Maria Santana seguiu carreira como agente fiscal de tributos estaduais por mais de uma década, entre 1982 e 1999. Também exerceu função de destaque como conselheira do Conselho de Contribuintes do Estado do Piauí, representando o fisco estadual em dois biênios consecutivos (1987/1988 e 1989/1990).

Aposentada do serviço público, não se afastou da vida jurídica. Em 1999, passou a atuar como advogada militante, reafirmando sua dedicação ao Direito e à defesa da cidadania.

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