Autor: Desembargador Edgard Nogueira*
O policial teresinense que, hoje, mais destaque tem merecido, é o Delegado
Moura, do 1º Distrito.
Já tivemos aqui alguns delegados, que criaram fama pelas suas atividades na
perseguição, descoberta e prisão dos criminosos, como Delfino Vaz, Pedro Basílio e
outros os quais deixaram tradição de operosidade, tenacidade e inato faro no combate ao
crime.
Agora, entra para a galeria dos agentes da sociedade contra o mal, oriundo do
crime, o Moura. É franzino, de estatura mediana, compleição regular, de aparência
bisonha e aspecto de timidez, claro e de densos cabelos pretos, mas é um gigante na
repressão criminal. De origem humilde, formado em Direito à custa de muito esforço
pessoal, já deixava na Faculdade, com os seus professores, a impressão de que seria um
bom policial, pela sua aplicação ao estudo da ciência penal e processual penal, fazedor
de perguntas, sobre crimes e criminosos.
Titular do 1º Distrito Policial – Central – logo confirmou todos os prognósticos.
Empenhou-se no exercício do cargo e tomou a peito o dever de combater os delinquentes
e os delitos. Não para… Dia e noite se agita e age com a sua turma de detetives
especializados. Não dá trégua aos marginais, geralmente ladrões sem entranhas e
homicidas perversos. Embora culto, pouco se socorre de técnicas científicas ainda
incipientes no meio. Contudo, tem um faro sobrenatural e um instinto quase infalível que o
levam a desvendar crimes misteriosos assaltos nas caladas da noite e homicídios sem
testemunhas. É um detetive nato, um farejador de nascença de bandidos. Crime sob sua
investigação, é crime descoberto e autor na cadeia. É claro que está sempre nas
‘manchetes’. E não há crime de importância, para descoberta do qual, não seja chamado.
E, por isso, vem contribuindo com 50% para a população carcerária da penitenciária local.
Um policial como este, com uma atividade como esta e com um teor de eficiência
como o que apresenta, é claro que tem inimigos e opositores.
Mas, ao fim e ao cabo de contas, o seu saldo de atuação é extremamente positivo
e é aceito e elogiado pelo setor maior da opinião pública, infensa ao facinorismo e à
criminalidade. O Moura, meu ex-aluno da FUFPI e incorrigível perguntador, na sua ânsia incontida
de aprender e saber, bem pode hoje ser apontado com o parâmetro melhor para todos os
que pretendem ingressar na misteriosa carreira policial.
Na sua pessoa franzina, estão concentrados o faro, a intuição, a obstinação e a
honradez, que fazem um bom delegado. Sim, meus senhores, quem dera a Secretaria de Segurança Pública do Piauí, a felicidade de abrigar no seu seio, mais alguns delegados tipo Moura. Só assim,
poderíamos dormir tranquilos, porque haveria quem indormidamente, velasse por nós,
dando-nos garantia, confiança e seguridade.
Desta forma, no instante em que as polícias de muitos Estados se encontram sob o
crivo da opinião nacional, pela sua indisciplina, crimes bárbaros e corrupções, corre o
dever de, com as modestas observações acima, fazer uma homenagem a Edvaldo Moura,
que pode servir como exemplo raro dos que, na polícia, executam um trabalho árduo, mas
imprescindível à segurança e bem estar sociais, sem o que não haverá paz e progresso
para os que constroem o futuro deste Brasil gigante.
• Artigo da lavra do Desembargador Edgard Nogueira
Professor Catedrático da Universidade Federal do Piauí e
ex-Presidente do Tribunal de Justiça do Piauí publicado no
dia 14 de dezembro de 1976, no Jornal O Estado.