Poema
Poema: Cego Bento
27/01/2010

 
 Poema: Cego Bento

Não morrerás,

meu quimérico e homérico cego.

Um mito não morre:

um mito se encanta e permanece.

Teus dois percursionistas

são dois anjos da guarda

de asas dissimuladas.

Um te abriga com a sombra

de seus olhos também sem luz.

O outro é tua estrela guia,

que te conduz em tua noite sem dia,

pelas trevas espessas de teus olhos,

como um Virgílio da nova mitologia.

Não morrerás,

não por seres Bento,

mas por teu talento.

A música escorre de teus dedos,

saltita sobre os teclados,

palpita e resfolega no fole,

cabriola no molejo moleque

do leque da sanfona,

evola-se pelos ares,

remexe as ondas dos mares,

sacoleja as folhas dos palmares,

se quebra e se requebra pelos bares

e remelexe no chamego e aconchego dos pares.

Não morrerás, cego Bento.

 

 
Fonte Elmar Carvalho
 
 
    

Dia: 06/09
Juiz José Orlando Ribeiro Rosário
Dia: 06/09
Juiz José William Veloso Vale
Dia: 09/09
Juiz Belmiro Meira Júnior
Dia: 09/09
Juíza Mara Rúbia C. Soares Machado
Dia: 12/09
Juíza Verônica Maria dos Santos Fontinelle

 
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