Prosas
Prosas Escolhidas - Parte II
06/10/2006

TEMPOS RIBEIRENSES
 
                                      Elmar Carvalho
 
No último dia de fevereiro de 2000, tomei posse como titular da Comarca de Ribeiro Gonçalves, e no mesmo dia retornei a Teresina, em virtude de minhas férias que teriam início em março.
Já nessa primeira viagem, da tela panorâmica da janela de um velho ônibus empoeirado, comecei a observar com muita atenção a paisagem das plagas ribeirenses, tão diferentes dos tabuleiros e descampados, ornados da graciosidade dos talhes esbeltos das dançantes carnaubeiras de minha Campo Maior, dos vastos campos maiores. Via os pequizeiros e os característicos “folhas largas”, de escura e grossa casca rugosa. Contemplava o azul distante das serras a contrastarem com o azul do céu e com o verde do cerrado.
Ao assumir os serviços de minha judicatura, procurei cumprir com zelo, esforço e dedicação as minhas funções, e, sobretudo, com imparcialidade. Os que conheceram o meu trabalho reconhecem esse meu esforço. Sempre busquei ser o melhor juiz que a minha capacidade de trabalho, discernimento, inteligência e limitações pudessem alcançar. Fiz o que, nas circunstâncias e condições oferecidas, me foi possível fazer.
Vários textos de minha autoria, tanto em verso como em prosa, foram concebidos nas viagens entre esta cidade e Teresina, pois enquanto contemplava a paisagem, os bandos de periquitos, a corrida das emas e seriemas e eventualmente outros animais, alados ou não, a minha imaginação muitas vezes entrava em ebulição, em que esses textos, prosaicos ou poéticos, foram gerados.
Observando a paisagem e os animais, bem como as estrelas e as nebulosas, quando a noite aniquilava tudo o mais, foi cometido o meu poema Viagem, que também nasceu nas vezes em que eu ficava na praça principal de Uruçuí, sozinho em um banco, a contemplar o lusco-fusco e o surgimento tímido das estrelas. Esse poema é na verdade uma oração ao Supremo Arquiteto do Universo. O meu poema Canção pastoril de um urbanóide decaído começou mesmo a ser elaborado nessa última cidade, utilizando-me de um lenço de papel oferecido por uma lanchonete da rodoviária.
Por longos anos almejei escrever um poema sobre a chuva, com suas enxurradas e trovões. Esse poema explodiu em meu cérebro num dia chuvoso em que cheguei à agência do Sr. Aarão, em Ribeiro Gonçalves. Como eu desconfiasse de que o aguaceiro não pararia tão cedo, fui a pé, debaixo de chuva, encharcado nos ossos e na alma, dessa parada até o fórum, afagado e quase afogado pelos pingos tão frios. Choveu durante toda a semana, de modo que o meu poema Chuva foi feito, literalmente, debaixo de chuva.
O meu texto A ilha do sonho e do encanto, misto de crônica e conto, nasceu de um sonho que tive dentro do ônibus, quando seguia para minha Comarca, e que terminou abruptamente, no momento em que acordei sobressaltado com um forte solavanco provocado por uma cratera da estrada. É um tanto surreal, mas a realidade, às vezes, é mais surpreendente e onírica do que o próprio surrealismo.
No meu período ribeirense, observando a grande quantidade de carroças existentes em Uruçuí, tracionadas por jumento ou burro, resolvi escrever uma crônica sobre jumento, como era um antigo desejo meu. Fui coadjuvado pelo irmão Elson, que me narrou a história pitoresca e engraçada do fabuloso jegue Pimenta, que, pelo visto, era uma legítima pimenta malagueta e jamais de cheiro.
Nesses tempos ribeirenses, gostava de acompanhar, nas horas de folga, da porta do fórum ou do seu pátio, o vôo majestoso e aristocrático dos urubus, suas evoluções graciosas de perfeitos dançarinos aéreos, seu balé irretocável, tendo como teatro a amplidão dos ares e como cenário o azul do céu e o branco das nuvens, e gostava de vê-los pousados em um frondoso e colossal angico branco, que ficava um pouco à esquerda do meu campo de visão, fincado na encosta do morro em frente, em que as casas se dependuravam em hábil e elegante malabarismo. Por isso, quando mataram, de forma estúpida e cruel, uma grande quantidade dessas aves, em Teresina, elaborei, entre aquela cidade e Ribeiro Gonçalves, uma crônica em que vergastei essa chacina monstruosa.
Durante meus quatro anos de Ribeiro Gonçalves, freqüentei, com relativa assiduidade, a Loja Maçônica Celso Antunes. Dessa loja maçônica são assíduos freqüentadores os poderosos irmãos Elson Antunes, seu atual venerável, irmão de coração de ouro de muitos quilates; Aníbal Carvalho, árvore frondosa, de densa sombra e suculentos e doces frutos, erudito e tribuno inspirado e admirável; Francisco Modesto Barbosa, modesto apenas no nome, mas um gigante na capacidade de trabalho; Joel, pedreiro também na vida profana, a desbastar a pedra bruta que todos nós carregamos; Tenente Wilson, inteligente e espirituoso, a forjar piadas no “repente” do improviso; José Pinto, cordato, entretanto um verdadeiro carcará da maçonaria, a defendê-la com denodo e garra, mas sempre com elevação; Hugo Torres, advogado acirrado e inteligente, empresário, ex-venerável, em cuja gestão foi iniciada a construção do templo físico da maçonaria, posto que o espiritual já existe e é admirável; Ubiratan Ribeiro, que vem se revelando como um maçom dedicado e zeloso, assim como seu filho, Marcos; Joveraldo, sempre preocupado com o seu aperfeiçoamento maçônico, na busca incessante do polimento da pedra, e também com o crescimento da loja, cioso de seus deveres na vida profana. Completando a constelação de maçons vontadosos e dignos, cito ainda Otoni, Gilmar, José Ricardo, Arenaldo, Tomaz, Arimatéia e Cícero. De já peço desculpas por alguma involuntária omissão. Além de mim, maçom que precisa e muito desbastar a pedra bruta, eram maçons visitantes os estudiosos, assíduos e de amplos conhecimentos iniciáticos, verdadeiros mestres e paradigmas de todos nós, os irmãos Antônio Carlos e Ulisses, que exerceram sucessivamente a gerência do Banco do Brasil, dinamizando-a e expandindo-a.
O tenente Wilson sempre era o mocinho, nos episódios anedóticos de que era o protagonista e herói vitorioso. Somente num caso que me contaram, pelo menos na versão contada, o tenente levou a pior. Estava ele muito preocupado sobre se ia chover, como todo nordestino que se preza, quando apareceu uma pessoa vinda de uma localidade rural. Imediatamente o tenente perguntou-lhe se choveria, ao que essa pessoa respondeu, sem titubear: “Ô, Wilson, eu venho é da Bacaba, não é do céu, não!” O tenente ficou perplexo, boquiaberto, sem uma resposta pronta, como era de seu estilo bem humorado.
Tive a subida honra de ter o meu poema Mística transcrito em uma bela placa, que será afixada no templo maçônico, em fase terminal de construção, por iniciativa do então venerável Hugo Torres, e que teve o respaldo posterior do atual venerável Elson e dos demais irmãos.
Nesses tempos ribeirenses, participei de alguns eventos culturais, literários, maçônicos e cívicos, tendo tido a oportunidade de lançar livro de minha autoria, bem como participar do lançamento de outros livros, no caso do escritor e historiador Adrião Neto, cujo evento articulei, com o apoio da maçonaria e da prefeitura. Nesses eventos discursei e entoei versos de minha autoria. Pude pregar o bem, o bom e o belo, que devem ser o desiderato de nossa vida.
Durante minha serventia, a quantidade de processos aumentou muito, com o crescimento dos projetos agrícolas, com a valorização da terra, com as relações comerciais motivadas pela crescente produção de soja. Na verdade, foi uma conseqüência natural do progresso e do desenvolvimento econômico da região.
Para mim foi uma honra servir nesta Comarca onde serviram o grande escritor, ficcionista, folclorista e paremiologista Fontes Ibiapina, juiz digno, honesto, honrado e humilde no trato pessoal, também professor competente, que tive o gáudio de conhecer em Parnaíba, onde exerceu a judicatura literária no jornal Folha do Litoral, e o excelso poeta Júlio Antônio Martins Vieira, célebre e celebrado autor do épico Canto da Terra Mártire, que foi por largos anos emérito professor. Não podendo sugerir o nome de Fontes Ibiapina, que já era patrono do fórum de Cocal, sugeri o nome do poeta, professor e magistrado Júlio Antônio Martins Vieira, através da douta corregedoria de Justiça, na gestão do Des. Osíris Neves de Melo Filho, para que fosse dado ao fórum de Ribeiro Gonçalves o seu nome honrado, cujo nome fora aprovado, por unanimidade, em reunião que convoquei, com a presença do prefeito João Antunes, de representantes da Câmara Municipal e da maçonaria, e de outros segmentos da sociedade. A sugestão foi acolhida, também a unanimidade, pelo Egrégio Tribunal de Justiça do Estado do Piauí.
Eram advogados residentes na Comarca os ilustres doutores Hugo Torres e Benedito Martins Guimarães. Com o primeiro, fiz um passeio na lancha “voadora” do Carlão (Carlos Alberto), venerável da loja maçônica e gerente do Banco do Brasil, que, logo que cheguei para assumir meu cargo, fora promovido para a agência de Picos. Nesse passeio pude ver toda a beleza das margens preservadas do Parnaíba, o imortal “velho monge” do poeta Da Costa e Silva, refertas de verdejantes árvores que se debruçavam sobre o leito do rio, nas quais saltitavam inquietos e simpáticos macacos e as graciosas aves dos cerrados, com seus cantos maviosos. Paramos no remanso de uma pequena ilha paradisíaca, de areias brancas, macias, quase flocos de diáfanas nuvens. Pescamos, digo, o doutor Hugo pescou à sombra de imponente e copada mangueira. Pescou alguns peixes, pequenos é verdade, mas pescou. Não é estória de pescador, não: meninos, eu vi – como asseveraria o poeta Gonçalves Dias. Comemos numa casa de um ribeirinho, num recinto de chão batido, que era também uma rústica sala de aula, cuja professora era a dona da casa. Ali havia um menino, de seus oito anos, que me olhava de vez em quando, com curiosidade, talvez com o imaginário aguçado por estar vendo um juiz em carne e osso, no mister prosaico de comer uma frugal, mas saborosa refeição. Depois, eu soube que o menino comentou, quando o prefeito João Antunes esteve nessa casa, que eu não era como certo morador da redondeza, que comia uma verdadeira montanha de carne, feijão e arroz, com rápida e admirável voracidade; que eu fazia um prato pequeno, comia devagar e mastigava bem o alimento. Apenas, teve a franqueza infantil de acrescentar que eu deglutira quatro pratos! De qualquer sorte, me elogiou, ao dizer que desejava proceder como eu fizera...
Na minha judicatura nesta circunscrição judicial, fui ajudado, com muita dedicação e boa-vontade, por todos os servidores, que se excederam em esforço e zelo, entre os quais recordo os nomes de dona Conceição, Nilza, Barbosa, Márcia e Toinha, além de dona Marilene, uma espécie de assessora para assuntos aleatórios.  
Como já falei, o Dr. Benedito Martins Guimarães, ótima e agradável pessoa, com sua cabeleira muito branca, aparentando macios flocos de algodão, era um advogado residente na Comarca. Digo residente na Comarca porque ele se hospedava com o seu sogro, logo no outro lado do rio Parnaíba, numa casa antiga, em cuja frente se erguia uma majestosa árvore, parece-me que amazônica, senão na origem pelo menos no tamanho gigantesco, ao lado de um morro, em cujo cimo se enxergava um abrigo para os bodes. Conversávamos muito, algumas vezes, quando o Dr. Benedito desfiava os seus “causos” pitorescos e engraçados, ou quando debulhava o rosário de suas lembranças, algumas remontando a sua infância. Numa de suas peraltices, foi, literalmente, capar um felino, com uma linha, mas terminou estripando-o, quando suas vísceras foram se desenrolando como um novelo de meada. Uma vez, por um ato falho, chamei o Dr. Benedito de Expedito. Ele me corrigiu, em sua maneira lhana. Respondi-lhe que ele era esperto e ligeiro, e que, por conseguinte, era também Expedito, já que o santo desse nome era exatamente o defensor das causas urgentes. Certa feita, eu e o Dr. Afonso Aroldo fomos convidados por ele para um passeio em sua chalana, pelas barbas aquosas do “velho monge”, com destino a uma de suas propriedades, onde iríamos degustar um bode. Quando chegamos ao ponto de embarque o Dr. Benedito já nos esperava, em companhia do piloto e do “berrante” que iríamos almoçar. Esse caprino desmoralizou o ditado que afirma bode embarcado berrar muito. O bode comportou-se como um lorde. Não esperneou, não berrou e morreu contrito e silencioso como um mártir. Nunca vi caprino mais educado e estóico.
Sem dúvida, atuei, em Ribeiro Gonçalves, em muitas causas importantes e de alta complexidade, como provam várias de minhas sentenças. Entretanto, gostaria de comentar três casos humildes e simples, mas pitorescos e quase anedóticos, revestidos de certa dose de humor. Num deles, uma família questionava uma casa. A mãe e as filhas contra o pai. Como ambas as partes fossem paupérrimas e nada mais possuíssem, decidi-me por fazer uma justiça um tanto salomônica, e determinei que o oficial de justiça Barbosa, que na verdade era um “faz-tudo”, inclusive sendo uma espécie de arquiteto prático, promovesse a divisão da casa, da maneira mais funcional e menos danosa, traçando a linha divisória, em que uma das partes ocuparia um lado e a outra parte ficasse, obviamente, do outro lado. A decisão deu certo, pois nunca mais fui procurado por nenhuma pessoa dessa família. Em outra causa, foram discutidas umas bananas. Ora, banana sempre foi tida e havida como algo sem valor, tanto que se fala pejorativamente em preço de banana, em república de banana, em sujeito banana. Nesse episódio, uma mulher destruiu uma pequena plantação de bananeiras, na margem de um rio, alegando ali ser o porto de sua canoa. A vítima ingressou com uma ação indenizatória. Em minha decisão mandei que o serventuário, com a ajuda de um técnico agrícola, fizesse o cálculo de quantas bananas a plantação produziria, e o preço, pelo valor corrente no mercado, total dessas frutas, cuja importância seria acrescida de 20%, a título de multa “pedagógica”. O advogado do requerente ingressou com embargos declaratórios, alegando que eu omitira vários serviços e despesas feitas pelo seu constituinte. Respondi – declarando a sentença – que se o objetivo do requerente era a produção das bananas e se mediante cálculo eu mandei que estas fossem indenizadas, ainda com o acréscimo da multa, não necessitaria falar em despesas, já que a finalidade dessas era a referida produção. O decisum alcançou o seu desiderato, vez que não houve recurso. O último caso curioso que desejo mostrar é o seguinte: um rapaz fez sua casa perto da residência de uma sua parenta, em terreno desta, sem cerca divisória. Depois de algum tempo, a parenta se agastou com a vizinhança, já não me recordo por qual motivo. Essa senhora se mostrava irredutível e intransigente no desejo de afastar o parente. Apareceu-me o Pedro Trolete, me afirmando que já contribuíra para evitar pendengas judiciais, apaziguando os desafetos, e que se comparecesse à audiência de conciliação resolveria o problema, com uma proposta que faria, apesar de não ser parte. Não obstante a oposição ministerial, permiti sua participação, pois o que me interessava era a solução do conflito, e não o apego a um formalismo a meu ver desnecessário naquele caso e circunstância. O Pedro propôs ajudar o rapaz a construir outra casa, em um mês, em terreno seu. Essa proposta foi aceita pelas partes. Pedro, que não era pedra, mas diamante sem jaça, cumpriu a promessa e o conflito foi solucionado, que é o que interessa à Justiça.
Durante minha estada nesta Comarca, foram representantes do Ministério Público os doutores: Maciel, conhecido como o promotor cantor, pois além de cantor é ainda hábil compositor, já tendo lançado mais de um CD com as suas belas melodias; muito preocupado com questão de saúde, tendo muita cautela com alimento e mudança de temperatura, principalmente por força de ar condicionado, dele dizia, brincando, o doutor Almir, meu antecessor, que ele deveria viver numa “bolha”; sei que vivia no mundo da realidade dos autos e no mundo encantado da música. Afonso Aroldo, um tanto tímido, de natureza humilde, mas um gigante para o trabalho, pois, acumulando mais de uma comarca, muitas vezes o vi varar as madrugadas, debruçado sobre os autos e a digitar os teclados do computador, quase se extenuando no cumprimento do dever. Araína, muito preparada, inteligente e de largo conhecimento teórico, igualmente ciosa de seus deveres e prerrogativas funcionais. Com todos eles tive saudável convivência, sem nenhum tipo de animosidade ou exacerbamento de ego ou vaidade, que pudesse prejudicar a harmonia e interdependência que deve haver entre a magistratura e as atribuições ministeriais.
Tive, recentemente, a elevada honra de haver sido comunicado oficialmente, pelo ilustre amigo Adovaldo Medeiros, de ter sido eleito, por unanimidade, para membro honorário da Fundação Leôncio Medeiros, cujas finalidades são educativas, culturais e de promoção social. Essa honraria não alimentará a minha vaidade, mas será um forte estímulo para que eu procure fazer mais e melhor nas minhas áreas de atuação, sobretudo a literária, a que venho me dedicando por quase toda a minha vida, porquanto ela desabrochou em mim quando eu tinha dez anos de idade e até hoje me acompanha de forma incontrastável e determinada.
Pretendia somente deixar Ribeiro Gonçalves por motivo de promoção para uma outra entrância. Deixei-a por motivo de doença. As ciladas da vida e os desígnios de Deus são inelutáveis, e a eles nos devemos submeter sem relutância, aperfeiçoando nosso espírito com a resignação nobre, diferente do conformismo mesquinho dos que não sabem ou não querem lutar.
Carlos Drummond de Andrade disse que a sua Itabira era apenas uma fotografia pregada na parede, mas como doía. Manuel Bandeira afirmou que iam derrubar sua casa, mas que seu quarto ia ficar de pé, suspenso no ar. Alguém, de forma igualmente feliz, disse que trazia seu torrão natal tatuado na alma. O escritor piauiense Luiz Mendes Ribeiro Gonçalves, naturalmente da mesma família do epônimo desta cidade, dizia que, não podendo permanecer na sua Amarante, a trazia numa fotografia fixada na sala de sua casa.
 Inspirando-me em todos eles, direi que trago a aprazível e bucólica Ribeiro Gonçalves no escrínio de minha memória, nos escaninhos das circunvoluções de meu cérebro, no relicário de minha alma e nas gavetas ventriculares de meu saudoso coração.
 
Palestra proferida no dia 14.11.04, em Ribeiro Gonçalves, por ocasião da solenidade de instalação da Fundação Leôncio Medeiros, oportunidade em que tomei posse do cargo de membro honorário dessa entidade educativa, cultural e de promoção social.
 
 
 
 
 
 
   NESTOR RIOS – A BONDADE ENCARNADA
 
                                                                    Elmar Carvalho
 
Conheci-o na agência da ECT de Parnaíba, vinte anos atrás. Apesar de não o ver há muitos anos, rocordo-o sempre, e sempre como um homem bom e de bem. Ele é, por assim dizer, a encarnação da bondade, da bondade simples e natural e humilde, sem ostentação, mas também sem a dissimulação dos hipócritas e fariseus.
Não obstante sua humildade, sua modéstia natural, sua presença era um acontecimento em nosso local de trabalho, quando aparecia para recolher nossa pequenas contribuições financeiras, para os seus velhinhos, amparados pela sociedade dos Vicentinos, de que é membro assíduo e atuante, mesmo com a sua alongada idade. Como ele ficava feliz com os modestos donativos! Parecia haver recebido uma vultosa importância para si mesmo.
A sua bondade, sua lhaneza, sua alegria espontânea e sincera pareciam formar uma aura poderosa em torno de si, como a emoldurar o belo quadro de sua velhice digna e honrada, fazendo com que todos se sentissem bem ou melhor diante de sua pessoa. Talvez fosse um anjo sem a consciência de sua condição de ser angélico, e que por isso mesmo se locomovesse entre nós com tanta e natural simplicidade. Seu carisma era tanto que ficávamos felizes com o seu aparecimento ocasional em busca das esmolas para os seus velhinhos, e por isso dávamos como se estivéssemos recebendo.
Muitos anos depois descobri, através de minha mulher, que um amigo, o Dr. João Batista Rios, que lhe herdou a bondade e a simpatia, era seu filho. Prometi-lhe escrever uma crônica sobre seu pai, crônica, aliás, que pretendia fazer há muitos anos, mas que, inconscientemente, sempre adiava, talvez porque a personalidade bondosa e simples de Nestor Rios dela não precisasse, o que de fato é verdade. Mais tarde fiquei sabendo que esse homem caridoso e bom tinha um cunhado, irmão de sua mulher, de nome José Heriberto Silva, que também trilhou o caminho da bondade e da caridade, e desenvolvia um trabalho, na vinha do Senhor, semelhante ao seu. Eriberto morreu em estado de santidade, de forma serena, em paz com Deus e com a sua consciência.
Por intermédio do Dr. Batista Rios, fiquei sabendo que o bom Nestor havia construído um conjunto de casinhas para os seus anciãos. Fiquei imaginando o mistério de como as irrisórias esmolas haviam-se transubstanciado naquelas casas, que acolhem, dando abrigo e amparo, os pobrezinhos. Fiquei imaginando qual o fermento milagroso que fizera crescer as esmolas nas mãos caridosas de Nestor Rios.
E a resposta é simples. É que Deus atua através de nós mesmos, de maneira sutil e suave, sem os alardes da mídia e da propaganda enganosa da falsa caridade.
Deus se manifestara em Nestor Rios, um anjo travestido em pele de ser humano. 
 
 
                             A CHIBATA, O ANJO E O JUMENTO
 
                                                                      Elmar Carvalho
 
O jumento, talvez pela sua importância e simpatia para o nordestino, tem vários apelidos, alguns afetivos e graciosos, outros nem tanto, já declinados pelo imenso Luiz Gonzaga, o rei do baião, que também lhe homenageou com a música “O jumento é nosso irmão”, de sua autoria e de José Clementino.
É um animal dócil e paciente. Segundo a tradição, foi o escolhido para conduzir a Virgem Maria e o Menino Jesus, na fuga para o Egito, evidentemente com a presença de São José, na constituição emblemática da Sagrada Família. Provavelmente tenha sido a sua proverbial docilidade, mansidão e humildade a razão dessa escolha e honraria. Como a maioria desses animais ostenta uma mancha sobre as pás dianteiras, considera o povo simples, na voz da lenda, que essa marca é o sinal milagroso e honorífico do xixi com que lhe ungiu o Salvador, como uma forma de homenagem e gratidão pelo serviço prestado. Depois, encerrando apoteoticamente sua participação na Bíblia, foi o escolhido por Cristo para conduzi-lo em sua entrada triunfal em Jerusalém.
O jumento não chega a ser um animal de grande porte. A sua paciência e beatitude lhe impedem de galgar colocação no ranking dos mais velozes. Só disputa corrida entre seus pares, como, aliás, é o mais justo e lógico. Entretanto, pela sua força e resistência, desproporcionais para o seu porte, considero-o um pequeno trator, com tração nas quatro patas, cujo formato lhe renderam o apelido de “pé de escopro”. Enquanto o seu dono vai procurar fretes para a carroça, nisso gastando muito tempo, o jumento fica pacientemente esperando pelo início do serviço, em alta concentração, como se estivesse imerso em profunda perquirição filosófica. Não sei se dessa atitude é que lhe teria advindo o apelido de professor.
Tem uma voz forte, quase uma trombeta capaz de derrubar as muralhas de Jericó. Apresenta vários timbres, de característica metálica, de rica sonoridade e modulações, como se fora um instrumento musical. Como o seu relincho ocorre em intervalos regulares, ganhou também o apelido de “relógio”. Conta-se até que uma figura ilustre do Piauí, um tanto excêntrica, entusiasmou-se por um jumento de rinchar imponente, altissonante, um verdadeiro primus inter pares. Esse varão de Plutarco comprou o animal, colocou-o numa espécie de gaiola, naturalmente no intuito de se deleitar com o “canto” do asno, que lhe parecia mavioso.
                 Não sem propósito, conforme se verá a seguir, recordo uma cena cruel, em que um açougueiro rude e algo doentio, talvez portador de certa psicopatia, maltratava sem nenhum motivo, pelo menos aparente, um carneiro, que pela sua docilidade e mansidão emprestou o seu nome ao Cristo, chamado o Cordeiro de Deus. Esse ser, dito humano, dava uma pancada com o “olho” do machado na nuca do pequeno carneiro, que estremecia, mas sem emitir uma queixa sequer. O homem, quase dizia o bruto, sorria, e no momento em que o animal se recompunha, voltava a vibrar-lhe outra pancada, e assim sucessivamente. Mesmo correndo sérios riscos, ainda hoje me arrependo de ter ficado inerte, diante do repulsivo e cruel espetáculo, quando poderia haver abordado aquela pessoa, na tentativa de chamá-la à razão.
Quando jovem, mal saído da adolescência, no auge de meu entusiasmo pela vida e pela poesia, escrevi um poema, de que já não me recordo na íntegra, e cuja cópia foi devorada pelas traças, que, juntamente com o tempo rigoroso, são as mais implacáveis críticas da literatura, em que eu dizia que era mentira chamar o burro de burro, pois quem era burro era o cavalo. Hoje, se não fosse uma ofensa para esses híbridos e possantes animais, eu diria que quem é burro é quem maltrata seu próprio jumento, ou seja, quem prejudica seu próprio instrumento de trabalho. Aliás, o jumento é mais do que um simples instrumento, pois é também o próprio trabalhador.
Para dar um melhor condimento a essa crônica, vou apimentá-la um pouco, contando uma rápida anedota verídica do jumento Pimenta, que pertencia aos pais do venerável amigo Elson Antunes. Era o Pimenta, como seu nome está a indicar, um jumento muito esperto e rápido. Muito diligente, não se furtava ao trabalho, e o que tinha de fazer, seja transportar gente ou conduzir cargas, fazia com rapidez. Entretanto, tinha seus caprichos e mudança de humor, e, às vezes, poucas vezes, é verdade, quando “cismava da boneca”, birrava e se amuava. Nessas raras ocasiões empacava e, mesmo açoitado, não tinha quem lhe fizesse avançar. Mas essas ocasionais pirraças do jegue Pimenta são uma exceção, pois o jumento, por princípio e como regra geral, é dócil e diligente.
Ainda de Ribeiro Gonçalves, o mesmo Elson me contou a história “folclórica” que se segue. A caminho do então povoado de Baixa Grande, seguiam Otílio Antunes e um doidinho, de nome Daniel, vulgo Lombada, prestativo e estimado por todos da cidade. O primeiro seguia em seu fogoso corcel, árdego, estradeiro, marchador, elegante em sua locomoção suave; o doidinho montava um jumento lerdo, trotão. Um pouco por troça, Otílio, que foi prefeito do município por duas vezes, insistia para que trocassem de montaria, fazendo ver as vantagens evidentes de seu cavalo. O serviçal sempre respondia que não havia necessidade, que, do jeito que estava, estava bom demais. Depois de muita insistência, fizeram a troca. Quando o doidinho se achou em cima do veloz corcel, deu um “até logo”, diria quase uma “banana”, e disse que o outro só o veria de novo na faveira grande da estrada. Era esta uma frondosa árvore, de densa sombra, que servia de pousada aos viajantes da época, que ali faziam suas refeições e curtiam o sono reparador, para a última etapa da jornada. Essa imponente faveira, que deu conforto, sombra e abrigo a muita gente, sem discriminação alguma, foi estupidamente derrubada por algum imbecil, a quem ela dera, talvez, a sua sombra majestosa e revigorante.
Um jumento serve ao carroceiro durante longas horas, numa jornada trabalhista muitas vezes bem maior do que a prescrita ao ser humano, carregando cargas pesadas, brutais mesmo, e quando a carroça encalha numa vala ou empaca no atoleiro, certos condutores vibram o chicote, sem dó nem piedade, sobre o dorso daquele dócil e indefeso animal, que concorre para o seu sustento e de sua família, levando-o ao estresse, senão mesmo à morte, pelo esforço cruel e insuportável, que o extenua e arrebenta. Chego a ficar com uma vontade secreta de que algum anjo da guarda dos animais arrebatasse o rebenque e o vibrasse com mais intensidade contra o lombo do proprietário impiedoso.
Isso me faz recordar o episódio bíblico em que o Senhor, em represália à desobediência de Balaão, deu-lhe por adversário um anjo com a sua espada desembainhada. Por várias vezes a jumenta que o conduzia conseguiu esquivar-se do anjo, que somente por ela era visto, e nunca por Balaão. Este, sem atinar com o que estava acontecendo, por várias vezes, enfureceu-se contra a sua montaria, e a açoitou com brutalidade. Vendo tamanha injustiça e violência, do profeta contra quem o servia e defendia, o Senhor abriu a boca da jumenta e lhe fez pronunciar as seguintes palavras:
– Que te fiz eu, que me espancaste estas três vezes?
– Porque zombaste de mim; tomara que tivera eu uma espada na mão, porque agora te mataria – retrucou Balaão.
– Porventura, não sou a tua jumenta, em que cavalgaste desde o tempo que eu fui tua até hoje? Costumei eu alguma vez fazer assim contigo?
O profeta respondeu que não, e o Senhor lhe abriu os olhos, fazendo-o enxergar o anjo com a espada desembainhada, e ainda lhe esclareceu que, se não fora o zelo da jumenta, já o teria matado, pela sua perversidade e iniquidade. Balaão se ajoelhou e se arrependeu amargamente.
Quando eu vejo um carroceiro perverso para com a sua alimária, que só lhe faz o bem, contribuindo para o seu sustento e o de sua família, gostaria que um Anjo do Senhor, pusesse na boca do animal espancado as mesmas palavras da jumenta de Balaão, e tomando-lhe a chibata açoitasse rijamente o desalmado, abrindo-lhe a mente ao entendimento do justo, da gratidão e do amor, sobretudo a quem nos ama e nos serve.
 
 
                                     EXORTAÇÃO À JUSTIÇA E À BONDADE
 
                                                                          Elmar Carvalho
 
No livro “O Jardim das Rosas”, de Saadi, encontra-se a emblemática passagem em que um pastor teria pedido ao pai lhe ensinasse a bondade, ao que este lhe teria respondido: “Sê bom, mas que a tua mansidão não faça o lobo tornar-se audacioso.” De igual modo, diria que nós, os juízes, devemos também ser bons, mas com as devidas cautelas, ainda mais agora em que os ogros e elfos, desconformes e canhestros, andam, afoitamente, com os dedos tortuosos e sujos, apontando pretensas mazelas da Justiça, para depois, a exemplo do que já faziam dantes, incorrerem em maiores e mais danosos pecados.
Devemos sempre ter em mente que aqueles que nos procuram para solução de conflitos, via de regra, já tentaram por vários outros meios, mais rápidos e econômicos, a sua resolução, e que, quando batem à porta da Justiça, batem como sendo a última porta da esperança, e que por isso mesmo não os podemos decepcionar, porquanto só aqueles que se defrontam com o limbo do inferno dantesco são despojados de toda esperança.
A balança da Justiça há de restar sempre soerguida, limpa e altaneira, e devidamente ajustada pelo prumo e pelo esquadro, para que os pratos se mantenham no equilíbrio da imparcialidade.
Quando tomei posse de meu cargo de juiz junto ao Egrégio Tribunal de Justiça do Estado do Piauí, em solenidade singela, contudo para mim memorável, disse que uma dúvida me assaltava naquela ocasião: sobre o que seria mais importante, se a justiça, se a bondade. Mas eu próprio resolvi o aparente paradoxo da equação, ao dizer que quem era bom era justo, e quem era justo necessariamente teria que ser bom. Todavia, hoje me assalta novamente a mesma dúvida, ao lembrar-me da história de Judas, que fustigado pela sua consciência implacável, talvez o último resquício da centelha divina que ainda lhe restasse, ao tentar ser justo, sendo juiz e algoz de si próprio, expiando sua culpa com o enforcamento, deixou de ser bom para consigo, perdoando-se a si mesmo e buscando o perdão do Mestre traído, mediante uma vida de bondade e de arrependimento. Porém, no desespero e no orgulho, preferiu optar por uma justiça inexorável, sem bondade e sem perdão para consigo mesmo, o que me faz novamente enxergar que a justiça e a bondade não se excluem, mas, ao contrário, se completam e se sublimam. E isto até o nosso ordenamento jurídico, a jurisprudência e a doutrina entendem, quando assinalam o princípio da bagatela e o estado de necessidade, que atenuam e de certa forma justificam alguns pequenos delitos, cometidos em certas circunstâncias.
A consciência que está em todos nós, e que estava em Judas, no momento do salto e do laço fatal, é um semáforo divino, que nos alerta sobre os perigos e armadilhas do pecado, mas que, semelhante a um sinal de trânsito, não nos impede de avançarmos indevidamente e entrarmos na delinqüência e na prática de ações reprováveis. Aliás, dizem que, quando a consciência é freqüentemente desrespeitada e violada, termina por se tornar insensível, e leva o homem a sua degradação total e sem retorno, em que ele mergulha nas profundezas abissais dos pecados hediondos, progressivos e sem freios, numa espiral ascendente e em expansão.
Dizia o mestre Alceu Amoroso Lima, o Tristão de Athayde, que os pecados são virtudes enlouquecidas. Isto porque o que se chama pecado, quando sentido e praticado de forma sutil e diminuta, é virtude, tanto que a soberba, a gula, a luxúria, a inveja são extrapolações do amor próprio, do apetite, do sexo e da admiração. Há quem diga que o anjo decaído amava tanto e tanto admirava o Onipotente que ousou desejar ser um seu igual. Assim, devemos estar em perpétua vigilância para que as nossas virtudes não se transformem em vícios, pela incúria e pelo superdimensionamento.
O grande estadista do Império, Nabuco de Araújo, pai do não menos ilustre Joaquim Nabuco, dizia que preferia um juiz desonesto a um juiz destituído de inteligência, porque, na sua avaliação, um magistrado corrupto só errava nas causas em que tivesse interesse, ao passo que o honesto, mas desprovido de inteligência, cometeria muitos erros, em face do seu despreparo. Por outro lado, em sentido oposto, conta-se que Anatole France, ao proferir notável conferência sobre as qualidades que deveriam ornar um julgador, não se referiu à honestidade. Indagado sobre a aparente omissão, respondeu que não falava ali senão a magistrados honestos, porque um juiz corrupto não era efetivamente um juiz, mas alguém que deveria ser tratado em matéria penal. Compartilho desta última opinião, porquanto entendo que um julgador corrupto terminará, como uma metástase ou como uma infecção generalizada, por macular o próprio conceito de Justiça, e por levá-lo a ter cada vez mais interesses escusos nos processos, por força da ganância e da elasticidade degenerativa de sua degradação, ao passo que um juiz probo, embora não quinhoado com os fulgores de uma inteligência portentosa, através de seu esforço e zelo na persecução do justo e da verdade real, alcançará dar soluções corretas aos litígios, uma vez que não faz parte de sua índole tirar a razão de quem tem para dar a quem não a tem. De qualquer modo, tenho plena convicção de que os juízes iníquos são uma pequena minoria, que jamais há de empanar o brilho e a glória do Poder Judiciário.
Sou um otimista. Acredito que no filme da luta entre o bem e o mal, os mocinhos vencerão os bandidos, porque as trevas não podem prevalecer sobre a luz. Onde a luz chega, as trevas, em fuga, desaparecem. O bem sempre dominará o mal, pois a marcha da humanidade é para a frente e para o alto, e o seu desiderato maior é o bom, o bem e o belo. Por isso existe o amor, o mais nobre e sublime dos sentimentos. Onde existe o amor, existem a bondade, a caridade e a justiça, e essas virtudes interagem entre si e se retroalimentam, e fazem surgir o resplendor e a glória de um círculo virtuoso. Inclusive, o culto e inteligentíssimo São Paulo dizia que, ainda que tivesse os mais importantes dons e falasse a língua dos anjos, sem o amor nada seria. Embora haja controvérsia a este respeito, tenho para mim que o amor deve ser colocado acima da caridade, pois quem tem realmente amor tem disposição para a prática das virtudes, inclusive a caridade, ao passo que esta, desprovida do excelso sentimento, pode ser apenas hipocrisia e demagogia, ou até mesmo vão comércio, na esperança de uma futura e improvável recompensa divina.
Exorto os colegas juízes para que prossigamos com fé, esperança e coragem em nossa luta para que a Justiça humana seja realmente justa, porque um dia, talvez no dia do Juízo Final, haveremos de nos defrontar com a balança do Supremo Julgador, ao qual nos teremos de submeter. E que, nessa ocasião, a palavra tequel, entrevista pelo rei Baltazar, em seu opíparo banquete, inserta na frase “mene, mene, tequel, ufarsim” (Daniel, 5:25-27), cujo enigma foi revelado pelo profeta Daniel, em sua tradução para “Pesado foste na balança, e foste achado em falta”, não seja por nós avistada.
Sim, porque ao invés desta palavra, embebida de profunda iniqüidade, queremos que, ao passarmos pela balança incorruptível e exata do Criador, não sejamos achados em falta, e que a sua espada flamejante e gloriosa não caia sobre a nossa cabeça.
 
Por José Elmar de Mélo Carvalho
 
 
    
 

Dia: 06/09
Juiz José Orlando Ribeiro Rosário
Dia: 06/09
Juiz José William Veloso Vale
Dia: 09/09
Juiz Belmiro Meira Júnior
Dia: 09/09
Juíza Mara Rúbia C. Soares Machado
Dia: 12/09
Juíza Verônica Maria dos Santos Fontinelle

 
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